Tem boca e não fala, asas e não voa
Tem boca e não fala, asas e não voa, e vai daqui a Lisboa.
Sou um mundo sem gente, figuro em qualquer trabalho;
umas vezes não sou nada, outras vezes muito valho.
Eu entro no Purgatório, e também vou ao Inferno;
entrada tenho no Céu, estou ao lado do Eterno.
Os anjos de mim dependem, os virtuosos e santos,
e no mundo sem ser aranha, também ando pelos cantos.
Terra branca, semente preta, cinco bois a uma carreta.
O que é que está no começo da rua?
Letra “R”
O que é que se vê, tanto na luz como no escuro?
A letra “U”.
Verde foi minha nação, e azul na mocidade,
e branco de acabamento, fez o Senhor a mercê de chegar ao sacramento.
Que é, que é, que só tem um dente
E chama por toda a gente?
Tito, tito, capotito, subo ao céu e mando um grito.
Foguete
Foguete
Foguete
Qual é a coisa, qual é ela, que no alto está,
no alto mora, chama a gente para dentro e ela fica de fora?
Alto está, alto mora,
todos o vêem, ninguém o adora.
O que é?
Sino!
Tomara dizer bem claro,
Que no mundo vivo estou.
Mas eu sem deixar de ser,
Não posso dizer quem sou.
Qual é coisa, qual é ela, cai no chão fica amarela?
Não duvides que sou casa, pois que todos moram nela;
casa sou de peregrinos, mas sem porta nem janela.
Dentro em mim reside paz, ser grata a todos procuro,
para os estragos do tempo, sou asilo o mais seguro.
Aqui o enfermo descansa, o sábio é desenganado;
acha castigo o soberbo, alívio o necessitado.
Porque que os cães levam os ossos na boca?
Quem a faz não a goza, quem a goza não a vê, quem a vê não a deseja.
Josué Novembro 19, 2020, às 13:28 Permalink
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